MEDITAÇÕES DE UMA GATA
Enrolada no quentinho dos raios de sol que a cobriam vindos da janela da sala grande, a gata meditava, entre um e outro bocejo que lhe colocavam dois riscos no lugar dos olhos e faziam surgir uns dentes destartarizados e perfeitos para roer a comida seca que a dona, diariamente, lhe deixava lá ao fundo, no fim da casa, pertinho de uma coisa muito alta a que sempre ouvia chamar "armário". Que bem se sentia ! Ninguém por perto a todo o momento passando-lhe uma mão no pêlo ou, pior ainda, a beijocar, a beijocar... obrigando-a a repetidas lambidelas diárias para se manter asseada, como gostava! Claro que lhe sabia pela vida, à noite, que a doninha a aconchegasse no colo, onde era penteada a preceito para não ter de engolir aqueles horríveis nós de pêlo que, às tantas, lhe causavam indisposições do estômago e a levavam mesmo a vomitar. Sim, uma vez ao dia, duas no máximo, era bem agradável sentir as mãos e o cheiro dos amigos humanos. Mais, é que não! Por isso, gostave de estar sozinha em casa, à vontade, dormitando ora aqui, ora ali, que detestava a rotina! Estava, então, a gata nestas meditações, quando a porta da rua se abre e uma voz familiar dizendo " Olá, minha menina!..." a fez saltar do sofá e esquecer o sol. Enrolou-se nas pernas da dona, a quem saudou com um ternurento "rrrnnhau..." e pensou que o calor do seu colo, afinal, era bem melhor que o dos raios do sol ! Texto arranhado por Jorge G. - Abril/2006 |
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